terça-feira, 27 de setembro de 2011

Espiritualidade X Religião

A RELIGIAO E A ESPIRITUALIDADE!!!

    Por: Carlos Drummond de Andrade




 "A religião não é apenas uma, são centenas.
 A espiritualidade é apenas uma.

 A religião é para os que dormem.
 A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer, querem ser guiados,
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua voz Interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta
A espiritualidade lhe dá a Paz Interior.

A religião fala do ´pecado e da culpa
A espiritualidade lhe diz " aprende com o erro"

A religião repreende tudo, te faz falso
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro

A religião não é Deus
A espiritualidade é tudo e portanto é DEUS

A religião inventa
A espiritualidade descobre

A religião não indaga, nem questiona
A espiritualidade questiona tudo

A religião é humana, é uma organização de regras
A espiritualidade´é Divina, sem regras

A religião é a causa de divisões
A espiritualidade é a causa da União

A religião lhe busca para que acredite
A espiritualidade você tem que buscá-la

A religião segue os preceitos de um livro sagrado
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros

A religião se alimenta do medo
A espiritualidade se alimenta da confiança e na fé

A religião faz viver no pensamento
A espiritualidade faz viver na consciência

A religião se ocupa com o fazer
A espiritualidade se ocupa com ser

A religião alimenta o ego
A espiritualidade nos faz transcender

A religião nos faz renunciar ao mundo
A espiritualidade nos faz viver com Deus. não renunciar a ele

A religião é adoração
A espiritualidade é meditação

A religião sonha com a glória e o páraiso
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraiso aqui e agora

A religião vive no passado e no futuro
A espiritualidade vive no presente

A religião enclausura nossa memória
A espiritualidade liberta nossa consciencia

A religião crê na vida eterna
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna

A religião promete para depois da morte
 A espiritualidade é encontrar Deus
em nosso Interior durante a vida.


domingo, 10 de julho de 2011

Eterna saudades nas asas do Cuitelinho

Ai, que pena morena, que pena
Ai, que pena morena que da
Ai, que pena a viola calou
Pra fazer violeiro chorá.


Erga as asas cuitelinho
Voe sereno e sem faia
Vá buscar seu novo ninho
Onde ninguém atrapaia


Leve esta Pena Branca
Por favor nao se distraia
O violeiro não gosta 
Que o botão da rosa caia.


Passou na beira do porto
Onde as ondas se espaia
A guarça deu meia volta
Foi-se embora desta praia.


Deu adeus aos seus amigos
Despediu da parentaia
No seu peito o coração
Enfrentou forte bataia.


A sua saudade corta 
Que nem aço de navaia
Os zóio se enche dágua
Que ate as vistas se atrapaia.


Vou guardar a sua imagen 
No lugar de uma medaia
Bem juntinho do meu peito
Onde o coração trabaia.


Autor: Simão Pedrosa


sábado, 25 de junho de 2011

Esta faltando "prosa"-O mundo anda muito arredio




"Na "vorta" pra casa, o "cumpanheiro" de viagem ficou "mudim". O "radim" sem bateria liberou meus "uvidos", e foi então que "cumecei" a descobrir outros sons no vagão do trem. “É chego, não chegado!”, disse o "fio". “Claro que não, é chegado”, retrucou a mãe. “O que eu queria mesmo era uma mulher que me deixasse ficar com a mão engordurada”, zangou o "homi" com a namorada. “Mas ele não é casado?”, desconfiou uma "Muiê". “É, mas quando a gente não conhece a esposa, não conta”, esclareceu a "cumade". “Eu não acredito nisso de lagarta virar borboleta”, revelou o "meninim" pro seu irmão. Que retrucou, "marvado": “Então, espera até saber como se faz um ovo de galinha!”.Capturadas aos pedaços, fora do contexto, elas soam absurdas. Mas ouvir conversas alheias, mais do que hábito de gente metida, é um exercício antropológico: ensina-nos sobre a natureza humana, estimula a imaginação, rende risadas e reflexões. Às vezes, é uma palavra dita de outro jeito, como a mulher que citou o medo de um tal “ET de Vargínia”, ou o senhor que confidenciou: “Quando bebo, sinto dor no figo”. Adoro também um mistério repentino. “Você ouviu a última declaração do Cachaça?”, pesquei outro dia, e lá fui eu criar uma história imensa na cabeça sobre a figura. Bom mesmo é quando o improvável toma a gente no meio da rua. “O cara não tem certeza, mas dá pra saber que aquela Capitu é uma safada só pelo olhar!”, "escuitei" de um adolescente "revortado". Que belo resumo de Machado de Assis! E, mesmo na "farta" de "prosa", sempre se pode tentar a leitura "labiar", ou "inté" a livre interpretação de uma língua desconhecida. Vendo um "casar "de surdos-mudos conversar "instru" dia, os gestos me deram a impressão de um papo assim. Ele: “Sim, separou. Não tá sabendo?”. Ela: “É, e foi com uma faca bem afiada”. E pensar que essa arte de ouvir anda ameaçada pelos fones de ouvido e celulares. Pois, quando a bateria acaba, a gente descobre que é destapando as "oreias" que se "orve" o que interessa: a vida dos outros encontrando a nossa."


Traduzido para o Mineréis ...mas a mensagem é a seguinte.


Testo retirado da Revista Sorria segue aqui o link do original: http://www.revistasorria.com.br/site/edicao/conversa-afiada.php




Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que com amigo não tem que ter estas frescuras.
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.







DICIONÁRIO MINERÊIS/PORTUGUÊIS/CAPIRÊIS

DICIONÁRIO MINERÊS/PORTUGUÊS/CAIPIRÊS (ispía só qui trem seu,! Prestenção... )

ENGRAÇADIMAIS - ingraçadimais, muituingraçado.
PRESTENÇÃO - é quano eu tô falano iocê num tá ovino .
CADIQUÊ? - assim..., como qui tentanu intendê o motivo.
CADIM - é quano eu num quero muito, só um poquim .
D`EU - o mez qui 'di mim'. Ex.: Larga d`eu, sô!
SÔ - o mesm qui Seu, ou o fim de quarqué frase. Qué exêmpro tamem? : Cuidadaí, sô !!!
DÓ - o mez qui 'pena', 'cumpaxão' : 'ai qui dó, gentch...!!'
NIMIM - o mez qui in eu. Exempro: Nòoo, ce vivi garrado nimim, trem!... Larga deu, sô!!...
NÓOO - Num tem nada a vê cum laço pertado, não! Omez qui 'nossa!..' Vem de Nòoosinhora!...
PELEJANU - omez qui tentanu: Tô pelejanu quesse diacho né di hoje, qui nó! (agora é nó mez!)
MINERIM - Nativo duistadiminnss.
UAI - Uai é uai, sô... Uai!
ÉMÊZZZ?! - minerim querêno cunfirmá.
NÉMÊZZZ?! - minerim querêno sabê si ocê concorda.
OIAQUI - Minerim tentano chama atenção pralguma coizz...
PÃO DI QUEJU - Iosscêis sabe!... Cumida fundamentar qui disputa com o tutu a preferêca dus minêro.
TUTU - Mistura de farinha di mandioca (o di mio) cum fejão massadim. Bom dimais da conta, gentch!!..
TREIM - Qué dize quarqué coizz qui um minerim quizé! Ex: "Já lavei US Trem!" "Qui trem bão!!"
NNN - Gerúndio du minreis. Ex: 'Eles tão brincannn', 'Cê tá innn, eu tô vinnn...'
PÓ PÔ - umez qui pó colocá .
POQUIM - só um poquim, pra num gastá muito .
JISGIFORA - Cidadi pertin du Ridijanero. Cunfunde a cabeça do minerim que si acha qui é carioca.
DEUSDE - desde. Ex: 'Eu sô magrelin deusde rapazin!'
ISPÍA - nome da popular revista 'VEJA'.
ARREDA - verbu na form imperativ (danu órdi), paricido cum sai. 'Arredaí, sô!'
"IM" - diminutivo. Ex: lugarzim, piquininim, vistidim, etc.
DENDAPIA - Dentro da pia.
TRADAPORTA - Atrás da porta.
BADACAMA - Debaixo da cama.
PINCOMÉ - Pinga com mel.
ISCODIDENTE - Escova de dente.
PONDIÔNS - Ponto de ônibus.
SAPASSADO - Sábado passado.
VIDIPERFUME - Vidru de perfume.
OIPROCÊVÊ (ou OPCV) - óia procê vê.
TISSDAÍ - Tira ISS daí.
CAZOPÔ - Caxa disopor.
ISTURDIA - Otru dia.
PROINOSTOINO? - pronde nós tamo inu?
CÊSSÁ SÊSSE ONS PASSNASSAVASS? - ocê sabe se esse ônibus passa na Savassi?
DONCOTÔ? - onde que eu tô?
DONCOVIM? - de onde que eu vim?
PRONCOVÔ? - pra onde que eu vou?"






sábado, 9 de abril de 2011

A Fisgada da Saudade

 ELA FOI RÁPIDA, LEVANTOU a mão e perguntou.

“O senhor acredita em Deus?”

A pergunta me surpreendeu porque o assunto não era a existência de Deus, mas os descaminhos da educação. Mas logo compreendi. Ela não havia ido ali para aprender sobre escolas, professores e alunos. Ela trouxera sua dor pronta e a levava por onde quer que andasse. Não era pergunta de catecismo. Era coisa que lhe doía na carne e na alma, espinho nas vísceras.

Pois não é quando a vida dói que balbuciamos o nome sagrado, pra ter esperança, pra que a vida doa menos? Quem pode dizer o nome sagrado, pra ter esperança, pra que a vida doa menos? Quem pode dizer o nome sagrado, acreditando, dorme sem sobressaltos.

Riobaldo sabia e dizia: “Como não ter Deus? Com Deus existindo, tudo dá esperança, o mundo se resolve. Mas, se não tem Deus, há-de a gente perdidos no vai-vem, e a vida é burra. É o aberto perigo das grandes e pequenas horas… Tendo Deus, é menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim, dá certo. Mas, se não tem Deus, então, a gente não tem licença para coisa nenhuma”.

Lembrei-me de R.S. Thomas, pastor e poeta numa pobre e rude comunidade rural da Irlanda. Pastor, devia saber. Porque não é pra isso que os fiéis vão à igreja, pra ouvirem do padre ou pastor que Ele existe? Mas ele de Deus só ouvia o silêncio: “Nenhuma palavra veio ao homem ajoelhado. Ele só ouviu a canção do vento. Ou o barulho seco de asas que não via, não eram anjos, eram morcegos no alto do forro da igreja. Ele não virá mais…” Nesse “Ele não virá mais…” estava toda a sua dor.

Agora, quando sinto a fisgada, busco o socorro dos poetas. Se eu tivesse me lembrado, minha resposta teria sido outra. Eu teria repetido as palavras do Chico: “Oh, metade arrancada de mim… Leva o vulto teu / Que a saudade é o revés de um parto, a saudade é arrumar o quarto / Do filho que já morreu…”

Saudade é um vazio que dói, presença da uma ausência, lugar onde o amor se aninhou, mas agora o ninho está vazio…

Qual é a mãe que mais ama? A que arruma o quarto para o filho que vai chegar ou a que arruma para o filho que nunca vai chegar?

Ela me perguntava se eu “acreditava”. Mas eu, como R.S.Thomas e o Chico, de Deus só tenho a nostalgia e a saudade.

Se eu tivesse me lembrado, eu simplesmente teria dito:

“Não, eu não acredito em Deus. Concordo com o poeta: Alberto Caeiro diz que não acredita em Deus porque nunca o viu. Se ele quisesse que eu acreditasse nele, sem dúvida que viria falar comigo, e entraria pela minha porta a dentro dizendo-me: “Aqui estou”. Pensar em Deus é desobedecer a Deus, porque Deus quis que não o conhecêssemos. Por isso se nos não mostrou.”

Não, não acredito em Deus. O que eu tenho é aquela dor chamada saudade… A Adélia sabia e sofria: “Eh saudade! De quê, meu Deus? Não sei mais…”

Deus é essa fisgada sem nome que sinto no coração. Ela tem hora certa para aparecer: no crepúsculo. Verso de Browning: “A gente vai andando solidamente pela rua e, de repente, um pôr-de-sol… E estamos perdidos de novo”.

“Por causa dessa dor sem nome eu acendo meus altares com poesia e música para colocar beleza no abismo escuro…”

Não, não acredito em Deus. Mas sinto a fisgada…

RUBEM ALVES- Folha de S.Paulo




sexta-feira, 16 de abril de 2010

"Um minuto ao lado deles vale os 05 anos e o canudo nas mãos"-ECF

A pior idade-Rubem Alves

Algum demônio disfarçado de anjo inventou que velhice é a "melhor idade". Só pode ser gozação ou ironia


DEVE TER SIDO um demônio zombeteiro disfarçado de anjo que inventou que a velhice é a "melhor idade". Chamar velhice de "melhor idade" só pode ser gozação ou ironia.
O que me faz lembrar o acontecido há muitos anos. Naqueles tempos não havia o orgulho em ser negro. As alusões à cor eram tão proibidas quanto as sugestões sexuais. "Ela está grávida" -ninguém dizia isso, a palavra "grávida" era obscena, chula. Em vez da verdade nua e crua, uma expressão que todo mundo entendia sem que a palavra obscena fosse pronunciada era "Ela está num "estado interessante'"...
Pois uma família protestante se preparava para receber a visita de um conhecido pastor negro. (Um parêntese. Nos Estados Unidos, a palavra "negro" era e é ofensiva. Em vez de "negro" ["nigro"] usa-se "black", "black is beautiful". A palavra "negro" era mais ofensiva ainda na sua forma corrompida "niger".
As crianças eram educadas para o racismo como se fosse a coisa mais natural, e eram ensinadas a cantar numa brincadeira "Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by his toe" -"Agarre o crioulo pelo dedão...").
Acontecia que o tal pastor -isso era bem conhecido de todos- sofria de um humilhante complexo por causa da sua cor. Os hospedeiros ficaram angustiados diante da possibilidade de que sua filha de seis anos -um doce de menina- fizesse inocentemente alguma referência a esse fato. Trataram então de adverti-la: "Não diga jamais que o reverendo Clemente é negro...".
A menina ouviu e aprendeu. O hóspede chegou, tudo estava correndo às mil maravilhas, a menina doce se apaixonou pelo reverendo Clemente e, num momento de carinho, assentada no seu joelho, ela tomou a sua grande mão negra nas suas minúsculas mãos brancas e disse: "Sua mão é branquinha, sua mão é branquinha...".
É precisamente isso que acontece quando os alto-falantes das salas de embarque nos aeroportos anunciam: "Terão prioridade para o embarque gestantes, crianças, pessoas com dificuldade de locomoção e pessoas da melhor idade".
Já reclamei com os funcionários, dizendo-lhes a minha irritação. Eles me disseram que nada podiam fazer porque as ordens vinham de cima. Concluo que "em cima" não há nenhum velho.
O que é melhor? Ser respeitado ou ser desejado?
Velhice é quando a gente começa a ser tratado como "objeto de respeito" e não como "objeto de desejo". Mas o que quero não é ser olhado com respeito, mas com desejo...
Aconteceu faz 25 anos, uma tarde, no metrô, vagão cheio, tudo bem, eu me via jovem, pernas fortes, segurei-me num balaústre. Meus olhos começaram a passear pelo rosto dos passageiros -cada rosto é mais misterioso que um universo- até que meus olhos se encontraram com os olhos de uma jovem que me olhava, eles, os seus olhos, sorriam para mim e eu fantasiei que ela me desejava. Ficamos assim por alguns segundos trocando olhares de namorado até que ela, num gesto delicado, se levantou e me ofereceu o seu lugar... Seu gesto me disse sem palavras: "O senhor é velho. Eu o respeito. Eu lhe dou o meu lugar...". Nesse momento percebi que a minha idade era a pior de todas. A melhor idade era a dela, da mocinha que me deu o lugar...
Sugiro um nome diferente para essa idade, que não é ironia, mas poesia: "Pessoas portadoras de crepúsculos no seu olhar...".

sábado, 3 de abril de 2010

Solidão sim, ser sozinho jamais!

Solidão-Arnado Jabor
Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma.Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível! E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvída?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormirem abraçados, sabe... essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:"Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!" Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega. Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Da pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é "out", que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes brega,démodé,pagador de micos,idiota do que infeliz!

Inté cumpadres