quarta-feira, 21 de março de 2012

Pedro Barbeiro-Patrocínio Paulista-SP




PENA QUE AINDA NÃO DA PRA FAZER A BARBA E TOCAR  A VIOLA NÉ SEU PEDRO!?RSRSR
QUE SÃO GONÇALO ESTEJA SEMPRE GUIANDO SUAS MÃOS
VIVA A MODA E A CULTURA CAIPIRA
SAUDAÇÕES CAIPIRAS A TODOS

Patrocínio Paulista 2012-127 Anos


BRINCANDO NA PRAÇA , DANDO OPORTUNIDADES AOS FILHOS DA TERRA NA COMEMORAÇÃO DOS 127 ANOS DE PATROCÍNIO PAULISTA


Salve Guto...dibuiá na gaita compadre!


Uma pequena e singela homenagem ao saudoso Airton Senna-Tema da Vitória


Patrocínio Paulista 2012 -127 Anos

Apresentação Centro de Lazer  Marumbé Patrocínio Paulista- Show Domingão Três Colinas-11/03/2012 




Badorninha Caipira- 23-11-2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A menina e o pássaro encantado – Ruben Alves


A menina e o pássaro encantado

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
 Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
 Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
 Tenho de ir  dizia.
 Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades  dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
 Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
 Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
 Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
 Que bom  pensava ela  o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
 Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.
* * *
Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…
As mais belas histórias de Rubem Alves

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Espiritualidade X Religião

A RELIGIAO E A ESPIRITUALIDADE!!!

    Por: Carlos Drummond de Andrade




 "A religião não é apenas uma, são centenas.
 A espiritualidade é apenas uma.

 A religião é para os que dormem.
 A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer, querem ser guiados,
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua voz Interior.

A religião tem um conjunto de regras dogmáticas
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta
A espiritualidade lhe dá a Paz Interior.

A religião fala do ´pecado e da culpa
A espiritualidade lhe diz " aprende com o erro"

A religião repreende tudo, te faz falso
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro

A religião não é Deus
A espiritualidade é tudo e portanto é DEUS

A religião inventa
A espiritualidade descobre

A religião não indaga, nem questiona
A espiritualidade questiona tudo

A religião é humana, é uma organização de regras
A espiritualidade´é Divina, sem regras

A religião é a causa de divisões
A espiritualidade é a causa da União

A religião lhe busca para que acredite
A espiritualidade você tem que buscá-la

A religião segue os preceitos de um livro sagrado
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros

A religião se alimenta do medo
A espiritualidade se alimenta da confiança e na fé

A religião faz viver no pensamento
A espiritualidade faz viver na consciência

A religião se ocupa com o fazer
A espiritualidade se ocupa com ser

A religião alimenta o ego
A espiritualidade nos faz transcender

A religião nos faz renunciar ao mundo
A espiritualidade nos faz viver com Deus. não renunciar a ele

A religião é adoração
A espiritualidade é meditação

A religião sonha com a glória e o páraiso
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraiso aqui e agora

A religião vive no passado e no futuro
A espiritualidade vive no presente

A religião enclausura nossa memória
A espiritualidade liberta nossa consciencia

A religião crê na vida eterna
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna

A religião promete para depois da morte
 A espiritualidade é encontrar Deus
em nosso Interior durante a vida.


domingo, 10 de julho de 2011

Eterna saudades nas asas do Cuitelinho

Ai, que pena morena, que pena
Ai, que pena morena que da
Ai, que pena a viola calou
Pra fazer violeiro chorá.


Erga as asas cuitelinho
Voe sereno e sem faia
Vá buscar seu novo ninho
Onde ninguém atrapaia


Leve esta Pena Branca
Por favor nao se distraia
O violeiro não gosta 
Que o botão da rosa caia.


Passou na beira do porto
Onde as ondas se espaia
A guarça deu meia volta
Foi-se embora desta praia.


Deu adeus aos seus amigos
Despediu da parentaia
No seu peito o coração
Enfrentou forte bataia.


A sua saudade corta 
Que nem aço de navaia
Os zóio se enche dágua
Que ate as vistas se atrapaia.


Vou guardar a sua imagen 
No lugar de uma medaia
Bem juntinho do meu peito
Onde o coração trabaia.


Autor: Simão Pedrosa